sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Lamento




Lamento a morte bruta dos traços
O corte intempestivo da certeza
Eu vi ladeira beirando o fracasso
A margem foi tombada pela correnteza.

Aceita os pêsames pela candura exacerbada
Sorriso tenso funciona para enganação
A tua sina anda em frangalho bêbada
Bêbada do fel, reza para outra encarnação.

Meus sentimentos pelas letras marginais
Pois não sinto tanto, quanto o cinto aperta
Volta para a lua e os quarenta florais
Permanece imóvel, como móvel e nem tenta.

Condolências ao parágrafo que fugiu
Morte imatura de criação impera
Eu li dezenas de sílabas e o risco sucumbiu
Rasguei tuas alcunhas só falta jogar a terra.

5 comentários:

  1. Nossa,
    o poema mais forte que já li há tempos. Estruturado com solidez e tema bem trabalhado.
    Palavras cruas na crueza da pá de cal.

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  2. Gostei muito. O que mais gosto nossos seus poemas é a possibilidade de lê-los de diversas formas. Eu, particularmente, gosto de brincar com os versos. :)

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  3. 'Sorriso tenso funciona para enganação'

    ...isso pra mim hj, diz tudo. Tudo.

    Belo e necessário esse poema.

    Beijo!

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  4. O páragrafo que fugiu sacrificou-se em nome do parágrafo a seguir...que belo ficou.

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  5. Esse é daqueles poemas que lemos em voz alta, com um tom mais grave e esperando para o golpe final.

    Muito bom!

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