quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

P.S: Sem ruído

Mudo...
Tal voz que se quebra,
Em muda de planta,
Do barro
No laço...
Sufoca raiz. 

E se mudo, se aquieto...
Na sombra da alma,
Espirro,
Suspiro
Catarse do caos
Gangrena de sílabas
Cachoeira viral. 

Sossego...
O timbre do cérebro
Sinto o dó no estômago,
A febre
O apêndice
Dor só local.

E se sossego, e se descanso...
A palavra na língua,
Fere mais que abacaxi
Nos dias gastrite
(Ácido)
Tal vento morno
Que precede...
Devastação em troco de nascer grão.

5 comentários:

  1. muito boa, letícia. parabéns.
    ah, não esqueci da resenha. é que anda meio atarefada, mas mando no próximo final de semana sem falta. só para adiantar: é um trabalho de muita qualidade.

    beijos.

    ResponderExcluir
  2. Catarse, gastrite, apendicites...e o viver quase sempre está perigosamente ligado à tais imagens...

    Palavras de alguém que já passou por inúmeras devastações, das mais variadas (inclusive a gastrite que me espreita...).

    Adorei!

    ResponderExcluir
  3. Letícia, gosto de sua voz
    e sua pausa e silêncio. Belo!

    Na contramão do mote,
    seu poema é sonoro.

    abraços

    ResponderExcluir
  4. Ah..os silêncios que gritam...
    Encontro-me total neles...

    ResponderExcluir
  5. Se a intenção foi nos tocar com o silêncio, a mudez, o poder do som ou da sua ausência, saiba que foste muito além. Teu poema-sentido, toca a todos os sentidos, expõe os órgãos ao devorar das palavras, às enfermidades causadas pelo ácido verbo...

    Já disse que sou fã?
    Provavelmente sim.
    Mas vou repetir. Bem muito!

    Adorei, amora!
    Adoro sempre a tua poesia.

    Beijo, beijo!

    ResponderExcluir